Carnaval 2018 em discussão

20/06/2017

O Carnaval do Rio de Janeiro, conhecido como uma das festas mais famosas do mundo e responsável, apenas ele, pela injeção de cerca de R$ 3 bilhões na economia do município, corre o risco de não passar na Passarela do Samba no próximo ano. É o fim do Carnaval? Certamente não! Isso porque nos últimos anos o número de blocos de rua cresceu, atraindo para as praças milhares de foliões que cantam e se divertem. A festa em si, não morre. O espetáculo de cor e luz, a ópera a céu aberto, pode entrar em estado terminal.

A discussão em pauta é o espetáculo plástico que as escolas de samba apresentam todo ano, transmitindo para os quatro cantos do mundo a imagem de um Rio de Janeiro colorido, animado, capaz de se reinventar a cada ano com belíssimas histórias contadas em óperas de cerca de 70 minutos. Uma festa que gera postos de trabalho (diretos e indiretos), faz com que a rede hoteleira tenha lotação praticamente esgotada no período (e olha que houve um acréscimo de quase 100% do número de quartos com o advento das Olimpíadas), movimenta as visitas aos pontos turísticos da cidade e abre perspectiva para futuras visitas, entre outras coisas.

A decisão da Prefeitura do Rio de cortar a subvenção às escolas pela metade (passaria a dar R$ 1 milhão) pegou os presidentes das agremiações de surpresa e criou um impasse, já que o prefeito deixou claro que não vai voltar atrás em sua decisão e acha que a saída para o impasse é a Riotur ajudar na captação de patrocínio para a festa. Nesse pacote acertado há alguns anos entre a Prefeitura e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) consta não apenas o grande espetáculo, mas a participação da elite das escolas de samba nos palcos do Reveillon carioca e os ensaios técnicos gratuitos na Passarela do Samba.

Num momento onde todos os investimentos diminuem, inclusive o Reveillon do ano passado já teve cortes por falta de recursos, acho que a saída apresentada pode ser um problema. Espero, piamente, que a Riotur tenha a capacidade de encontrar esses rumos, incluindo para o Reveillon, que em sua última edição perdeu dois palcos só em Copacabana.

E, sempre que há um problema, surgem alternativas que podem preencher esse vácuo. Algumas sugestões começam a ser aventadas e discutidas, mesmo que timidamente, a princípio.

De olho nos bilhões de reais que entram nos cofres com a grande festa, cidades da Baixada Fluminense já se ofereceram para criar a infraestrutura necessária para que o desfile acontecesse lá. Vale lembrar que Duque de Caxias e Nilópolis, entre outras agremiações, são da região. São Paulo também viu a informação como um pote de ouro a ser buscado. Afinal,  como o Aeroporto Internacional de Guarulhos tornou-se hub (principal ponto de conexão) de voos internacionais no Brasil, diminuiriam os deslocamentos de turistas e geraria mais recursos em São Paulo. Vale lembrar que a festa paulistana vem se profissionalizando e hoje é preparada também por grandes nomes do Carnaval carioca.

É esperar para ver o que acontecerá com o cartão de visitas do Brasil no exterior, sonho de pessoas nos cinco continentes. Esperemos que os próximos passos não deixem o Carnaval no mesmo patamar da Fórmula 1 e do hub internacional na aviação. Será jogar os R$ 3 bilhões no colo de outros e aplaudir seu sucesso.

Que haja bom senso nas discussões e se resguarde o Carnaval carioca, transformando os R$ 13 milhões faltantes na proposta de subvenção nos bilhões que entrarão com a manutenção do espetáculo em território carioca. É esperar e torcer!