Novas rotas nos céus

05/10/2016

Enquanto a RyanAir anuncia na Europa a criação de 3.500 postos de trabalho e adição de mais 50 aviões à sua frota, em 2007, assim como a perspectiva de redução de tarifas ainda esse ano, as empresas brasileiras também repaginam suas rotas, mirando o fluxo crescente de turistas entre a América do Sul e Estados Unidos para as cidades do Nordeste. O número de voos internacionais que tem aquela região como origem cresceu sete vezes em dois anos, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), enquanto as companhias estrangeiras diminuiram suas frequências em 30%.

Porém não é apenas o câmbio favorável para os turistas e a retração do mercado interno que levaram a essa mudança. Incentivos fiscais estão sendo fundamentais nessa escolha. As empresas nacionais têm ocupado o espaço das companhias estrangeiras, que, em momentos de crise no país, decidem investir em mercados mais rentáveis, assim como aproveitado a decisão da Latam de congelar os planos de criar um centro de distribuião de voos (hub) na região, conforme anunciado em julho.

Os incentivos fiscais que os estados que disputavam o hub tinham preparado para a Latam, principalmente redução da alíquota de ICMS sobre o querosene utilizado para voos saindo daquela região, serviram de atrativo para as concorrentes. O Ceará, por exemplo, ofereceu uma redução de líquota de 25% para 12% para voos que tenham como origem ou destino a cidade de Fortaleza. Pernambuco ofereceu à Azul, que fará seu hub regional em Recife, uma alíquota de 7% sobre o combustível.  Vale lembrar que o combustível represente 37% dos custos de uma companhia aérea brasileira. O pacote que alguns estados desenvolveram prevê a redução progressiva da alíquota, até sua isenção total paa companhias que operarem oito voos internacionais diários.

A Gol inaugurou quatro novas rotas, unindo as cidades de Recife, Maceió e Porto Seguro a Buenos Aires, assim como Recife a Montevidéu. Agora quer ampliar a rota Fortaleza - Buenos Aires, que hoje é de um voo semanal. A Avianca, que já voa de Fortaleza para Bogotá, estuda uma nova rota saindo de Recife. A Azul lançou em agosto a rota Fortaleza - Caiena, na Guiana Francesa, e em dezembro quer unir Recife e Orlando, na Flórida. A Latam, para não perder terreno, iniciou uma rota Recife - Miami, uma vez por semana, e transformou também em semanal a rota Fortaleza - Miami.

Essas estratégias são importantes para criar novos postos de trabalho na região, assim como garantir aos passageiros uma viagem mais tranquila, sem os incômodos das conexões que demoram horas e tornam qualquer voo mais cansativo. É esperar que, quando a economia retomar seu crescimento, as aéreas mantenham essas novas rotas e refaçam sua malha, ampliando os voos também no mercado nacional, atendendo com qualidade a todos os passageiros.