Ushuaia: o melhor do fim do mundo

A cidade, que surgiu a partir da construção do presídio, em 1904, reinventou-se no turismo, oferecendo opções de qualidade aos visitantes

A cidade de Ushuaia, na província de Terras do Fogo, na Argentina, sempre foi considerada "o fim do mundo". A poucos quilômetros da Antártida, na junção dos oceanos Atlântico e Pacífico, além de ser o final da Cordilheira dos Andes, a cidade impressiona pela beleza de suas paisagens, sempre com as montanhas ponteando o horizonte, oferecendo ainda lagos de beleza rara e um parque onde podem ser vistos castores e pinguins.

Não, Ushuaia não é só opção de Inverno. Com belas pistas, como o Cerro Castor; neves consideradas as melhores da América do Sul; e o Altos del Vale, onde são treinados cães para corrida, a cidade tem vida também nos meses de Verão, principalmente para quem curte caminhadas e passeios a cavalo. Mesmo no Verão é possível ver neve no Glaciar Martial, praticamente dentro da cidade e de fácil acesso. Inclusive, no final do ano, os dias chegam a ter cerca de 17 horas de luminosidade solar, o que permite um melhor aproveitamento das milhares de atrações que a cidade tem a oferecer.

Ushuaia nasceu com o presídio para onde mandavam os políticos opositores ao governo. Construído em 1904, servia como castigo pela duras condições climáticas e a distância das principais cidades argentinas. Na década de 80 a cidade tornou-se uma zona franca, com a atração de milhares de indústrias, transformando a região no principal destino para trabalhadores de todo o país. A posição geográfica, que obrigava longas viagens para a compra de insumos e a distribuição dos produtos, matou o projeto. Foi preciso buscar uma alternativa urgente para atender a um contingente de desempregados que a administração não esperava.

A cidade reinventou-se no turismo, criando o Museu Marítimo e Penal de Ushuaia, para contar um pouco da história do local, com documentos, objetos e representações de como eram as celas no início do século XX; implantando um passeio náutico por ilhas do Canal de Beagle, terminando no famoso Farol de L´Eclesieurs; e reforçando o caráter ecológico da Baía Lapataia e o Parque Nacional da Terra do Fogo. Na área de infraestrutura, abriu espaço para grandes hotéis, que se misturam com pousadas, fazendas e chalés, assim como tornou-se um dos principais mercados gastronômicos do king crab (caranguejo gigante de águas geladas), encontrado em restaurantes de todos os tipos e a todos os preços.

A cidade é mais diurna, embora existam opções para aqueles que curtem a noite, como o pub Dublin, um ótimo lugar para beber, ouvir boa música e fazer amizades. Os que curtem cassino também podem apostar a sua sorte nas mesas de jogo. Para quem não curte a noite, o ideal é descansar para começar cedo as atividades físicas. Lembre-se que, mesmo no Verão, a média das temperaturas é de 10ºC, mas, com o vento constante que corta a cidade, a sensação térmica é sempre muito abaixo disso.

CURIOSIDADE - Segundo o professor Miguel Gallo, de Rio Turbio, na Patagônia argentina, há muitas histórias sobre a origem dos nomes PaTagônia e Terras do Fogo. Para a primeira, ele lembra que a região é comumente fria, com grande quantidade de neve. Daí a necessidade dos índios de enrolarem os pés com peles, deixando um rastro grande, um "patagón". O termo Patagônia teria surgido da terra onde vivem os "patagóns".

Já Terras do Fogo surgiu porque os navegadores que passavam pela região viam sempre grande fogueiras na terra, usadas pelos índios para se aquecerem. Então, sempre que tinham de definir a região falavam em "Terras del Fuego", pelas fogueiras que podiam ser observadas a longas distâncias.

CÂMBIO - As casas de câmbio de Ushuaia costumam fechar cedo, por volta das 15h. Então, aproveite para trocar dinheiro pela manhã. As lojas de souvenirs costuma fechar para a siesta, mas abre por volta das 16h e vai até às 21h/22h.

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